quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Máscaras...


Eu sei tá longe do carnaval... Geralmente é quando todos mascaram ou desmascaram... Seja pela dor ou pelo gozo...

Mas seja tudo artificial ou seja a verdade pura e clara sob o pretexto da loucura, não é lá que fica o imaginário das fantasias? O grande armário dos devaneios e das confusões?

Eu sei, eu sei, tá longe... Mas é que eu, que carnavalesca não sei ser, ando pedindo... Ando ansiando sem me guardar por um tantinho que seja desse fogo de gritar flores... Ou se não for demais, uma máscarazinha qualquer, qualquerzinha, mesmo que barata... Que as minhas já se quebraram, que as minhas não colam mais... E isso é até bom... Até certo ponto.

Até certo ponto tenho virgulado os meus instantes como um texto "direitinho", "um textinho 10 em Redação"... Mas cansa. O corretinho, o pontuadinho, o afirmadinho... É... Eu queria brindar. Mesmo que de mentirinha... Sorrir até transpor a linha da dor, até me desconhecer, até não saber mais o porquê de tanto riso...

Não é pedido de ajuda. É só vontade de entender.



Imagem de António Medeiros.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Só de Nelson

Alguém aí tem o pó do pirlimpimpim? Não?
hunf...
Tudo bem então.

sábado, 25 de outubro de 2008

O estar só que é só seu


O estar só não está em estar desamparado, ou de todo sem companhia, ou em recolhimento dos prazeres e das afetividades. O estar só existe por sí só. Ele está naquele minuto de silêncio em frente ao espelho. No não-riso. No não fazer. O estar só não se preenche nem com encontro de corpos, nem com encontro de almas. O estar só se preenche de vazio. E sempre. E por mais que não se discuta, por mais que não se queira, o estar só é que o espera ao fim de qualquer coisa. É o que se traduz por solidão interna, individual mas pertencente a todos. Por que ninguém é o outro e, por não ser o outro, é solitário no seu existir e pensar únicos. O estar só de cada um responde de uma forma diferente. Há quem nunca se desarmou o suficiente para percebê-lo, há quem sofra com ele esperando um sentido pra qualquer coisa, há quem apenas o perceba, há quem apenas o ignore... Mas o estar só, antes de angústia infinda, é também um estar a par de si. É uma parte que não pode ser preenchida e, por isso, é um porto triste, porém seguro. Não há solução para o estar só. Ele é seu. Instante primeiro em que, cortado o cordão umbilical ( ou antes disso) há uma percepção una do mundo.

O seu estar só é antes de dor, um gozo. É o que não se supera, ou se supera no fim, que, no fim, ninguém conhece. O porquê de escrever isso agora não me é claro. Não há indagações sobre o estar só. Só o aceite ou a repulsa. E nem a repulsa pode ser válida já que não resulta em nada. Nada resulta. O estar só existe. E pronto. Não há lamentações.



Foto de Zé diogo e Diamantino Jesus.

domingo, 17 de agosto de 2008

Numa noite de eclipse, luz.

Inquietação boa essa de ter a paixão renovada.

Não. Não aquela dos grilhões.
E que ferroa e que arde e que dói.
Mas a paixão que faz querer comer o mundo. Digerir cada nota e cada verso que o vento desenhar pros sentidos.
Sentir de novo a doçura de existir. Esse mel que cuspimos fora todo dia. Que perdemos todo dia.
Há tanto pra se ver e o tempo é tão pouco... Não há nem segundos pra lamentações.

No meio da euforia dos que não se contentam, eu pude ver, bem em frente aos meus olhos, como uma verdade velha mas esquecida, calor e aconchego.
Eu que nem me deslumbro mais... Eu enxerguei de novo.

Ainda há o que se ver nos olhos dos poetas.
Ainda há paz nos olhos dos poetas.
Como ungüento para a alma dos que não amam, ainda há o que sorver nos olhos dos poetas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Montanha russa uma ova... Eu sou é feliz.

Um dia a mais pra rir do tempo.
É tão bom quando aquela sensação de que as coisas vão melhorar é recompensada... Tão bom que eu seja tão feliz e saiba no instante em que sou. E que as pessoas, as preciosas, as indispensáveis, as inesquecíveis, da minha vida estão logo ali atrás de uma ligação, de pé ali passando no ônibus, tentando ligar pra minha casa quando tô na internet... Elas não sumiram, não me esqueceram, nem me ignoraram. Eles têm problemas e, que bom meu Deus, elas também precisam de tempo, de colo, de luz. Que nem eu... E quem sou eu pra negar? Negar que gosto de me sentir participante das vidas das minhas famílias, as de sangue e as de afeto e as de sangue e afeto, seria absurdo. Tão absurdo quanto negar minhas dúvidas, minhas crises de identidade, minha corroída fé no mundo...
E mais absurdo seria negar essa paz boa que toma meu coração quando me vejo retornando do fundo das minhas inquietações, às vezes até mais inquieta mas mais forte, mais precisa, mas intensa. Dúvidas? Elas aparecem sempre. Não há muito o que fazer contra elas, nem sei se deveria... A certeza é a irmã do engano.

Ah... E como é bom respirar esse cheiro doce de alegria calma e morna, como a cama nas tardes chuvosas, o barulhinho da chuva lá fora e universo todo cabendo no quentinho dos lençóis e do colchão... Que nem comer do prato de minha mãe... Que nem o abraço coletivo dos meus sobrinhos... Um universo num instante quente...

Ai vida... Eu quero é tu...

sábado, 12 de julho de 2008

" Não me dê atenção, mas obrigada por pensar em mim."

Sei da força que tenho. Nunca precisei mentir... Mas todo mundo é tão hipócrita, tudo é tão banal. Dá uma dúvida se vale mesmo a pena me escandalizar tanto, chorar, gritar, espernear...
Terrível essa sensação de que ninguém me escuta, ninguém dá bola... De que não é muito interessante quando é você quem precisa de compreensão... Então o que se há de fazer?
Eu mesma não faço mais dengo e nem dengo ninguém.
Não perdi minha fé. Não é isso...
Não. Eu ainda acredito nas pessoas, acredito sim, por mais que eu tente, por mais que finja, eu não posso mentir pra mim mesma: acredito nas pessoas. Confio. É complicado pra uma pessoa que cresceu numa família unida, que teve e tem amigos preciosos, desacreditar do melhor, embora ele pareça tão distante.

Só estou cansada.

E cansaço, assim como a dor, assim como a mágoa, passa.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Quase esquecendo...


Sinto falta de risos soltos. Se alguém tiver aí, unzinho que seja, por favor me empreste.
Eu devolvo com juros.
Prometo.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ai, que eu quero é mais... E posso.

Sabe, às vezes precisamos perder algumas coisas para notarmos a afeição que nutrimos por elas. Bom... Isso não é novidade.

Essa semana alguém entrou no atelier do Departamento de Artes e achou que seria muito legal levar minha escultura que eu levei umas três aulas pra fazer...
Na verdade achava ela feia... Queria porque queria fazer outra figura humana e agora que ela se foi... sei lá...
Nessa mesma semana me levaram também uma outra estatuazinha... Uma de carne... Era minha por meu orgulho e honra...
Era uma estátua.
Nada fazia. E dizia, pela minha imaginação e pela boca de outros, coisas que me deixavam dona de mim e do mundo.
E a estatuazinha criou vida. Virou gente, virou homem.
Vênus ou não, o certo é que deram vida ao estático rapaz.
Foi embora, que nem minha escultura
Que nem meu orgulho... Minha certeza de mim.
E de repente o que não servia fez tanta falta...

Ainda bem que a semana se esvái...
Ainda bem que eu quero é mais e que os dias vem com promessas e flores
E que talento pra outras esculturas não me falta
E que estáticos não me fazem a cabeça.

Rsrsrsrsrsrs....


Boa Noite!!!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

"... e apesar dos pesares do mundo, vou segurar essa barra..."


Às vezes é tão díficil aceitar que seu mundo mudou e que as coisas não são mais tão iguais ao que você se acomodou.... E lá se vão as coisas ficarem confusas e os pensamentos embaralhados...
" Cadê meu norte meu Deus?" Deus até tenta responder, mas cadê que você presta atenção?
A casca do ovo quebra e você não se toca que que não dá pra ficar tentando colocar a gema e a clara no lugar pra sempre. O mundo tá girando, não é? Cadê eu, que não estou correndo atrás da vida?
Hum! Queria mesmo era parar de pensar tanto, " os acomodados que se incomodem" não é o que diz a letra que eu vivo cantarolando? Cadê eucheiadeamigos? Cadê eurindopratodocanto? Cadê euestudantesforçada? Era eu ou era os outros? Cadê os outros?!?
Ai... que inveja do Caeiro (ou Pessoa?????). Pensar em conflitos (tão banais e tão egocêntricos...) que mais traz senão conflitos?
Bom mesmo é não pensar tanto, me diz Caeiro ao pé do ouvido. Enquanto a Rita (Lee) me berra que, se suspendem os jardins da Babilônia, é melhor botar as asas de fora.

Aff....

Bom dia pra todos!

domingo, 18 de maio de 2008

Coragem...

Às vezes me bate uma coisa, meio parecida com tristeza, meio parecida com saudade, e o corpo se sente inútil e a alma vegeta...
Sinto falta dos risos do meu lar.
Sinto falta do abraço macio de minha mãe e das frases de duplo sentido que tanto nos fazem rir as irmãs.
Sinto saudade dos batons quebrados pelos sobrinhos e dos beijos que, de súbito, me dão e me quebram, me derretem... Saudades do meu pai me cheirando na testa quando acordo...
Saudades dos cachorros pulando alto quando eu apareço na porta de casa.
.........

Mas é domingo e isso impõe que uma rotina deve ser cumprida. Não há espaço pra pensamentos nostálgicos longos. É preciso arrumar o coração, o corpo, a alma...
Há uma segunda-feira com garras de ferro esperando bem ali na esquina. Tenho que me armar de coragem e risos e domar a fera segundos antes do provável ataque.

" é difícil perder-se.
É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um jeito de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." (Clarice Lispector)

Bom domingo.