segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Só de Nelson

Alguém aí tem o pó do pirlimpimpim? Não?
hunf...
Tudo bem então.

sábado, 25 de outubro de 2008

O estar só que é só seu


O estar só não está em estar desamparado, ou de todo sem companhia, ou em recolhimento dos prazeres e das afetividades. O estar só existe por sí só. Ele está naquele minuto de silêncio em frente ao espelho. No não-riso. No não fazer. O estar só não se preenche nem com encontro de corpos, nem com encontro de almas. O estar só se preenche de vazio. E sempre. E por mais que não se discuta, por mais que não se queira, o estar só é que o espera ao fim de qualquer coisa. É o que se traduz por solidão interna, individual mas pertencente a todos. Por que ninguém é o outro e, por não ser o outro, é solitário no seu existir e pensar únicos. O estar só de cada um responde de uma forma diferente. Há quem nunca se desarmou o suficiente para percebê-lo, há quem sofra com ele esperando um sentido pra qualquer coisa, há quem apenas o perceba, há quem apenas o ignore... Mas o estar só, antes de angústia infinda, é também um estar a par de si. É uma parte que não pode ser preenchida e, por isso, é um porto triste, porém seguro. Não há solução para o estar só. Ele é seu. Instante primeiro em que, cortado o cordão umbilical ( ou antes disso) há uma percepção una do mundo.

O seu estar só é antes de dor, um gozo. É o que não se supera, ou se supera no fim, que, no fim, ninguém conhece. O porquê de escrever isso agora não me é claro. Não há indagações sobre o estar só. Só o aceite ou a repulsa. E nem a repulsa pode ser válida já que não resulta em nada. Nada resulta. O estar só existe. E pronto. Não há lamentações.



Foto de Zé diogo e Diamantino Jesus.