sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

No canto



Tirando notas agressivas no meu blues cotidiano
Teu riso, nosso riso
Quebrando a tarde e esse cheiro de fim
Tirando o cinza entranhado entre meus dentes
Teu riso
Nosso riso
Numa tarde, pelo fim da tarde
O sol vermelho de rir sozinho e junto
do canto das nossas bocas.

sábado, 14 de novembro de 2009

coisa que vem e me assalta de forma infinitamente coisada, enquanto os ouvidos ouvem e os olhos veem a mente delira enchendo a alma de destino sem volta... pelo menos por enquanto, nessa hora em que o jamais é agora.

"O mundo é bão sebastião
O mundo é bão Sebastião
O mundo é bão Sebastião"
...


E assim um dia a gente se convence.


O mundo é bão Sebastião?


Hora dessa essa coisa morna vai embora... e que venha o gelo e o fogo.


O mundo é bão Sebastião!


então cala essa saudade do que você não conhece... (...nada do que posso me alucinaaa... tanto quanto o que eu não fiz... Nada do quero me supriiiiimeee do que por não sabeeerrr aindaaaa não quisssss....)


O mundo é bão sebastião. O mundo é bão sebastião... O mundo é bão?
O mundo é bão. Se basta? Não.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Reclames de Dona Moça à Dona Doida ou Desventuras de uma fumaça que inveja o fogo... (?)


E esse fogo que nem é mais fumaça?


Onde cabe tanto querer? Onde se escondem tantas explosões?


Ah Adélia, ah Adélia...



Pare de me provocar com suas interferências... Dizendo em tantos livros tudo que eu sufoco dentro de mim... Que de cá, do lado de fora do poema, crio poemas estarrecedores sem tinta nem papel... Com suspiros e (porque não?) sussuros... A noite cai como uma tirana, trazendo esse cheiro tão familiar, me lembrando que vivi algo (outras vidas ou esta mesma? ) que se perdeu no tempo, me lembrando qualquer coisa que esqueci o nome... E aí... Como se não bastassem noite e solidão dançando em meu redor feito freiras bêbadas com vinho litúrgico, me vem agora você, Adélia, achando tudo bonito... Me dando no escrito e no publicado (e o que se publica é palavra livre que voa pra todo o sempre...) razão para ser assim doida, sair abrindo janelas... E (por que não?²) até pular, arrombar, esculhambar todas estas que eu mesma me fechei...


Isso não é justo minha cara amiga...

Não deveria eu resignar-me, depois de tantos safanões, a viver quieta mesmo com essa ilusão idiota de quem sabe um dia... um flautista... à beira da janel... Arhhhh Adélia!!!! Como pode dar razão a minha doidices?! ?

Como mau santo me pego!!! Lendo teus poemas em sextas-feiras!!!! Você sabe o que elas sempre significaram pra mim!!!! E ainda me provoca, enviando qualquer tipo de anjo ou demonio ( e tanto faz porque um é outro e o outro é um...avesso e direito do mesmo conto de três linhas) manipular as páginas para que se abram justamente ali... Onde repousam aqueles cadáveres de flores... Marcando como se eu pudesse esquecer...



Quanta covardia Adélia! A mim não foi dado nenhum Jonhatan ou Antonio ou José, ou qualquer outro nome ( Gabriel, Washington, Abílio, Dário, Bruno, Lucílio...) a quem você endoidecidamnete configuraria outro e outro tocador desses instrumentos de sopro... Os quais seduzem minha alma como uma prostituta a um senhor solitário feio e rico.


Nada me foi dado.


Apenas essa coisa de correr pra ti querendo conforto e só recebendo mais inquietação!

Ainda te rir, não é?


Com esse riso descarado flutuando nas entrelinhas... Sei o porquê disso... Por quê sabe que sempre volto... Por mais que corra e me esconda, nos textos de Baudelaire, eu sempre volto pra essa loucura florida de sangue, gozo e benção que cheira a terra molhada, soando canto de sapos... Pra enfeitar essa coisa borbulhante que chamo alma... Ah Adélia...

Como me diriam em outras vidas, aquelas noturnas, eu te odeio. Mas eu te amo.

Um dia roubo tua doidice pra mim... Ou liberto a minha (o que seria mais perigoso...).


Abraços querida amiga.
Imagem: Amantes, Isa Oliveira.

domingo, 20 de setembro de 2009

Para falar a verdade, melhor não falar...



Aos que de fora ficaram de todos os acontecimentos daqui de dentro, aplausos...


Há tanta nobreza em não se saber.


Há mais ainda em não se falar tudo o que se bole todo dentro da gente quando é só à gente que isso interessa.


Quanta inveja dos meus gatos, inveja dos meus cactos (das minhas flores não... Vivem fazendo fuxico com seus perfumes...), dos meus trevos...


Meus deuses! Dos meus trevos!!!






Infelizmente essa coceira na língua...

Ah essa coceira me destrói. Me faz pequena. Esse vício de se libertar do que em mim faz festa, faz choro e ranger de dentes, enquanto despejo sobre o outro partes carcomidas dos meus prazeres e aflições... Que Vício! Quanto mais eu tento, esconder tudo aquilo que só a mim me interessa, sempre tem o confidente que tem um confidente, e os outros envolvidos tem confidentes, que nada são além de complicadores para tudo que se tenta simplificar...


A palavra é mesmo uma desgraça.


Quanta beleza há em não se dizer!!!


Meus deuses, pra quê tantas palavras? Pra explicar, justificar, sintetizar o que não é possível...Tsc!!!


Seria tão mais fácil agir sem tanta filosofia barata ou cara... De quinta ou clássica... Tão mais fácil ser só você e... Você? Só você e o outro. Só você e o restante do mundo.


Sem espinhos nem magoas, nem justificativas a serem dadas, malditas justificativas destruindo o que você acreditou como verdadeiro. E reboliçando tudo de novo, retomando a Génese das complicações sem fim, só pra que uma infinidade de "ses" se entranhem em sua cabeça... E se eu tivesse... E se eu falasse... E se eu fizesse... E se eu?



Malditos sejam todos os ses!



Agora a nós, falas do nosso umbigo... Comunicadores de si, seja nas tramas navegáveis desse universo de exposições extravasadas, ou naquele cantinho da sala ou da praça, que buscam sempre seu lugar de silêncio, sua terra prometida dentro de si, Dou cá minha contribuição...


FALA- Fundação de Ajuda ao Lamurioso Anônimo.



Não façam doações. Apenas propaganda boca a boca. E nada de compartilhar, ok?



Calar teu vulcão as vezes pode ser tão digno...


Sejam luz.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Em função dessa vontade enorme de viver que se quedou sobre mim.






Pois bem! Depois de alguns coisantes de ostracismo estamos cá vermelhescendo outra vez...






Descobri que os grilos da minha cabeça serão todos comidos junto com todo o resto destinado aos vermes.






Eh... Isso não foi muito simpático...




Então recomecemos...




Eu assim do nada... Percebi que a morte, caminha pelo ar descaradamente. Ela é cínica... Passeia pela nossa família, entre nossos amigos, escolhe a vítima ... Nem se importa se ela, a vítima, amou tanto quanto deveria, se viu estrelas enquanto abraçava alguém, se escreveu poemas, se rabiscou seu nome em uma árvore, se brigou com o pai, se mandou alguém ir tomar onde o sol não bate, se teve um orgasmo digno, se contou todas as suas piadas, se falou todas as suas besteiras, se bebeu aquele vinho guardado, se falou pra pessoa que mora o lado os sonhos eróticos que tem com ela, se rogou todas as suas pragas, se abraçou seus amigos ou se se deu de todas as formas possíveis quando acreditou que deveria ser assim, se conseguiu fazer aquela coisa que sempre teve em mente mas sempre morria de vergonha de contar, se cortou as unhas, se estava usando uma roupa íntima digna e sem rasgos, se foi cruel ou bondoso, se assinou seu último projeto ou se deu um só grito que seja de libertação, se teve coragem e disposição para postar mais uma vez naquele blog abandonado... É queridos... Ela não pensa em nada disso.




Ela nem é besta de ficar se perdendo em questionamentos sem fim como nós, mortais.



Ela, essa entidade que nada discrimina, tá pouco se lixando se você teve coragem suficiente pra dizer pra aquele seu amor que insiste em lhe considerar como uma amizade preciosa (na melhor das hipóteses) que você pouco se importa com as cores que ele ou ela pinta seu próprio dia, desde que você, pobre diabo, possa ouvir o som saindo dos seus lábios. Ela não se importa...

E cá estamos nós perdendo horas preciosas... Eu postando toda essa coisa fluindo dentro de mim e você se esforçando em ler e achar qualquer sentido nisso tudo... Enquanto deveríamos estar rogando nossas pragas, excedendo nossos limites, sendo bons ou maus conforme nosso melhor entender, não apenas desejando mas cuspindo pra fora, lavando o mundo nessa gosmenta saliva que deixamos acumular na nossa boca enquanto o mundo gira.



Pois bem! Estou cá vermelhescendo outra vez. Perdoe-me acaso pareça rude, mas não pedirei mais desculpas se não tiver sido nada além de verdadeira. Aliás, não me perdoe.


Registro aqui, nessa postagem, a minha indignação por todos os questionamentos melosos das postagens anteriores... Vermelhecer é algo mais digno.



Abraços atordoantes a todos e até jajá.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Então...

Pois é.


Tem feito calor né...

Então...


E... E aí?


Então, né?

Pois tá.

Até.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porra louca não... Respeite!!! Pós-moderna...


Te adoro sua junge permissiva! Eva de todos esses "Adãos" sem norte...

EvoéBordosa!! Evoé!


Destruiremos esses "Adãos" sem destinos... Daremos a eles todas as maçãs e os expulsaremos para sempre, sempre, de todos os paraísos enrolados em suas teias psicanalíticas, pirotécnicas e descontínuas, tão mediocremente criadas pelas loucuras freudianas... Que nunca, desde a génese, tiveram forças para decisões próprias... E ainda nos culpam... Só porque sabemos que a vida é simples...
Tão fáceis de confundir... Tão pueris... Pobres crianças que não sabem brincar...
Mas os saudemos sempre! Somos carnes de suas costelas, eles nos inventaram...
E nos reinventam todos os dias... Criaturas adoráveis... Deleitáveis... Deletáveis.
Os saudemos querida amiga!
Evoé Adão, Evoé!!!
...
Tá eu sei... Isso foi meio "malamada" demais. Mas e daí? Tava afim de escrever caramba... Parem de ler blogs seus chatos... Nam... Ninguém nem pode cuspir pra cima aqui... Cruzes.

Adélia... Eu entendo.

"...Eu quero é o seio de Deus, quero encontrar Abrãoo e me insinuar junto dele, até ele perder o juízo e me fazer um filho que terá muitas terras e ovelhas. Emancipada não quero ser, quero ser é amada, feminina, com lindas mãos e boca de fruta, quero um vestido longo, um vestido branco de rendas e um cabelo macio, quero um colchão de penas, duas escravas muito limpas e quatro amantes: um músico, um padre, lavrador e um marido. Quero comer o mundo e ficar grávida, virar giganta com o nome de Frederica, pra se cutucar na minha barriga e eu fredericar coisas e filhos cor amarela e roxa, fredericar frutas, água fresca, as pernas abertas, parindo. Por dentro faço mel como colmeias, põe tua língua no meu favo hexágono. As quatro vias são de Santo Tomás, santo opulento e sábio. Eu tenho a via-crucis e a via-láctea. A via Dutra é mortal. a via-Mão não dá pé. Quem dá o grito primal paga caro o analista, quem dá o grito vai preso, quem escreve feito eu esgota o zumbido de seu ouvido, mata um a um os maribondos, com agulha fina, nos olhos. Não posso ver trouxa frouxa, amarro até ficar dura."


Trecho de Quarenta anos da publicação Solte os cachorros. Adélia Prado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Por mais um dia.

Em tempos de frio galopante da alma, um conforto morno e adocicado vem em sonhos livres de controle e analistas.... Não para resolver, nem para desatar tantos nós de nós, mas enfim, pra aquecer. Voltar a ritmar o barulho do corpo, o som que se esquece de ouvir.
Em dias que antes seriam doloridos, um suspiro ao acordar é bom e, por hoje e não sei até quando, basta.