quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Reclames de Dona Moça à Dona Doida ou Desventuras de uma fumaça que inveja o fogo... (?)


E esse fogo que nem é mais fumaça?


Onde cabe tanto querer? Onde se escondem tantas explosões?


Ah Adélia, ah Adélia...



Pare de me provocar com suas interferências... Dizendo em tantos livros tudo que eu sufoco dentro de mim... Que de cá, do lado de fora do poema, crio poemas estarrecedores sem tinta nem papel... Com suspiros e (porque não?) sussuros... A noite cai como uma tirana, trazendo esse cheiro tão familiar, me lembrando que vivi algo (outras vidas ou esta mesma? ) que se perdeu no tempo, me lembrando qualquer coisa que esqueci o nome... E aí... Como se não bastassem noite e solidão dançando em meu redor feito freiras bêbadas com vinho litúrgico, me vem agora você, Adélia, achando tudo bonito... Me dando no escrito e no publicado (e o que se publica é palavra livre que voa pra todo o sempre...) razão para ser assim doida, sair abrindo janelas... E (por que não?²) até pular, arrombar, esculhambar todas estas que eu mesma me fechei...


Isso não é justo minha cara amiga...

Não deveria eu resignar-me, depois de tantos safanões, a viver quieta mesmo com essa ilusão idiota de quem sabe um dia... um flautista... à beira da janel... Arhhhh Adélia!!!! Como pode dar razão a minha doidices?! ?

Como mau santo me pego!!! Lendo teus poemas em sextas-feiras!!!! Você sabe o que elas sempre significaram pra mim!!!! E ainda me provoca, enviando qualquer tipo de anjo ou demonio ( e tanto faz porque um é outro e o outro é um...avesso e direito do mesmo conto de três linhas) manipular as páginas para que se abram justamente ali... Onde repousam aqueles cadáveres de flores... Marcando como se eu pudesse esquecer...



Quanta covardia Adélia! A mim não foi dado nenhum Jonhatan ou Antonio ou José, ou qualquer outro nome ( Gabriel, Washington, Abílio, Dário, Bruno, Lucílio...) a quem você endoidecidamnete configuraria outro e outro tocador desses instrumentos de sopro... Os quais seduzem minha alma como uma prostituta a um senhor solitário feio e rico.


Nada me foi dado.


Apenas essa coisa de correr pra ti querendo conforto e só recebendo mais inquietação!

Ainda te rir, não é?


Com esse riso descarado flutuando nas entrelinhas... Sei o porquê disso... Por quê sabe que sempre volto... Por mais que corra e me esconda, nos textos de Baudelaire, eu sempre volto pra essa loucura florida de sangue, gozo e benção que cheira a terra molhada, soando canto de sapos... Pra enfeitar essa coisa borbulhante que chamo alma... Ah Adélia...

Como me diriam em outras vidas, aquelas noturnas, eu te odeio. Mas eu te amo.

Um dia roubo tua doidice pra mim... Ou liberto a minha (o que seria mais perigoso...).


Abraços querida amiga.
Imagem: Amantes, Isa Oliveira.