terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CAMPANHA.

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.
Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma ideia muito boa do senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil. 
SE VOCÊ CONCORDA COM A IDEIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM. 
Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA. 
Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante essa mensagem para que chegue até alguem que pode fazer algo. 
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166 - página de entrada do Senador Cristovam Buarque.

sábado, 4 de dezembro de 2010

"Os que são sensíveis, na vida, poderão sofrer muito mais que os insensíveis ; mas, se compreendem e transcendem o seu sofrimento, descobrirão maravilhas."  
Krishnamurti.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ranço

A mágoa é faca afiadissima... furando a alma a cada fechar de olhos.
a nódoa preta sobre os olhos
o ardor mas na alma que no corpo.
Nunca quis ser rancorosa... Algum ranço que em minha garganta fique, esse não foi cultivado por mim. O sufoco enquanto posso, até sufocar-me a mim mesma...
Não quero a perfeição das coisas.
Quero apenas um carinho no lado esquerdo da face e depois oferecer o outro lado.
Um bilhete que me faça chorar de alegria. Quero um beijo salivado e quente no meio da testa.
Quero escutar sem julgamentos, ser um porto seguro e, mais que seguro, desejável...
Quero ter mimo e acalantar o teu choro no meu colo. Quero poder te dar colo.
E te escutar respirar saudoso de mim pelo telefone...


Mas esse ador aqui, essa mancha preta nos olhos e no peito...

A mágoa é faca afiadíssima... Furando a alma a cada fechar de olhos...
Esse ardor mais na alma que no rosto, este não quero.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

" No mesmo lar, no mesmo quintal..."

Eu só penso que  reconheceu em quem já conhecia uma forma nova de ver o mundo. Verdadeiramente re-conheceu e se encantou.
Vai te devorar, disseram... "O amor é feito um laço, um passo pruma armadilha"
Ela deu o passo... Caiu no laço da armadilha mais certeira... E ela nem gosta de pensar como seria se não o tivesse feito... Sentiu o irreconhecivel conhecido  novamente no seu passo descompassado.
Repassado ao futuro de novo.
De novo pulsando.
E disseram a ela várias vezes  "vocês são muito diferentes". E eala teve a graça de enxergar as diferenças se complemetando e agradecer por nao ter um espelho do seu lado... Assim, diferentes sem ser contrários ao outro, ela e o reconhecido amor, diferentes como azul e laranja.
 Encontrou no seu oposto de nada opostivo o que de diferente ela esperava do mundo. Encontrou carinho e fúria, encontrou doçura e ardência. E soube que o paradoxo não era sinômino de inconstância. E que a sua contradição, que tanto a caracterizava, nada mais era que medo bobo de ser apenas uma. Medo de ser mulher. A mulher.
E com tanta coisa diferente tudo  foi ficando tão encaixável e harmônico. Um duo. A saia florida vestia bem com botas e a bermuda preta fez par com sandália de couro.  E soube arder no frio e sussurar gritos.
Ela, moça, dona de seus minutos antes preciosos.
Ela, dona de um sacrificar-se constante, criava na sua cabeça infértil fantasias para suas mãos.


E a isso bastou-lhe reconhecer.
Re-conhecer...


E o que disseram? Ora, pois ainda dizem... Descem a linguas lambiloucas entre os olhares...
Tecem o improvavel...
Mas dizem que cresceu
Dizem que ela é louca
Dizem que não mais temor...
Dizem que é livre.

"... Adeus dor..."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Eu que não sei

Eu que já nem sei se sou mesmo algo assim que possa ser de bom grado, tenho andando de mãos dadas com a angústia... (A vontade de dizer aquilo que não se pode, de xingar de berrar e chorar pra pedir colo... No entanto por diabos tenho que me fazer de forte, de guerreira... Esquecer que sou pequena, menina, frágil com todo direito de sê-la... Com todo direito de sê-la como diria Álvaro de Campos... Eu nunca quis nada disso, nem as alterações de humor, nem as frivolidades, nem as folias sem graça que as pessoas inventam pra disfarçar sua própria miséria.) Eu que já nem sei o que sou, sei bem o que quero... Queria mesmo só uma rede, embaixo de uma mangueira, a zuadinha de riacho, melhor ainda a maciez do colchão sobre o chão, o cheirinho doce de incenso, o toque suave da pele... O colo do meu amor...

Tanto sonho... E esse morrer de todo dia me segurando nos joelhos, deixando meu corpo seco e roxo... Quanta merda a gente acumula no caminho... Enchendo as veias de responsabilidades emprestadas, de vidas que não são as nossas... Adoecendo por interesses alheios...

Tsc...
Queria mesmo era  a maciez do colchão no chão, o cheirinho doce de incenso no toque suave da pele, o colo do meu amor.

terça-feira, 1 de junho de 2010

infâmias ínfimas

arrancam-me a estima os cabelos
estreitam-me as costas os ombros largos
a pele nua, manchada de sol
clareia com a tarde

estremeço nas tardes os suspiros
das taras renegadas
o corpo carne quer ser vício

o rosto roto cravejado de outros
vivos cravos que não florescem
o corpo carne quer ser livre

o nariz embolado quer diluir-se
ser cheiros e suspiros
as orelhas, agora imensas, captam
o tempo, a chuva, as ondas dos passos ligeiros
o riso amigo
o corpo carne quer ser livre

por um dia, por dois dias
não caibo nesse corpo de incomodos
deslizo-me nos cantos
me liberto em ardência

o corpo carne quer ser livre
e a alma, vaidosa, estoura-se luz
bela e contínua
 festejando
essa festa rosa do fim de tarde.

sábado, 3 de abril de 2010

Sai, sai, sai...

e Ai, que ao menos já devo pecar com gosto! Que pecado algum tive pra que eu merecesse tanta penitência... Que essa saudade transbordante não pode ser mais que tortura por mim mesma infligida. Saudade nua de qualquer cerimônia... Culpo logo o universo - Rum! Hum-hum!
Enquanto o tempo morre na espera do pigmento, sonhando em libertar-se sobre o papel, me arrasto doidivanas a tecer pensamentos absurdos, a escrever coisas piegas, a recitar tatibitates pro vento, cavando na minha ociosidade qualquer estar criativo, repuxando cor e luz do papel pardo, rasgando notícias de um mundo extra - mim. Vou colando sensações ausentes, resgatadas de revistas fúteis, sorrisos copiados no cinza brilhante do grafite...



Enquanto o ócio se instaura sobre tudo, deliro. Invoco o passar dos dias, e às vezes até rezo aos meus deuses mitológicos e outros nem tanto... Me reviro e peço proteção ao Lord Ganesh (será que a Chronos ainda dá tempo rogar?). Talvez Ísis me desse ouvidos... Nem a dança nem as artes me socorrem, será possível? E esse tempo que não passa... Deliro e deliro. A carne morta repuxada, as pontas dos dedos sujas e amareladas de esfregarem sobre o papelão essas cores que carrego na mochila escura. Me risco de novo, de novo o mesmo papel, de novo o mesmo rosto, de novo a mesma cabeça... Repetindo essa agonia de não se ser, não se ter encaixada naquele mundo que parece outro mundo, aninhada naquele pano de céu, pequena, calada e até tímida de se saber feliz.

Ah saudade, saudade...

Castigo bem feito pra quem brinca com o tempo e a distância...

Sai saudade, sai.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"entre risos nervosos tenho os olhos meus..."

Ao tempo irrita que lhe critiquem a intensidade? E ao sonho que o tratem como impossível? Decerto coisas tão subjetivas não tenham esse defeito. Quanto a mim, sujeita ocultamente desvairada, objetivamente me irrito. Me irrito e me retorço e me ardo  profundamente quando desconfiam das minhas paixões. Tenho sido intensa em tantas coisas, decerto por vezes a covardia me abraça, mas nunca pra negar o que sinto. Já enfeitei muito as palavras, no entanto, elas, por segurança ou infantilidade, agora me escapam de forma quase inevitável sem qualquer enfeite ou fantasia, e quando há como evitar prefiro não fazer, queimando meu fogo que não é pouco e, desconfio,  infindável. Feita de uma carne triste e amolecida, ainda teimo em dedicar exclusividades, me doando de pouquinho a quem desejo em demasia.

Tenho sido tão vil protelando o tempo todo o que me faz feliz...

Mas aceito as coisas que a mim me vem sedentas. Aceito. E abraço sem dúvidas, mesmo cheia delas. Eu quero sim o que as árvores tem a oferecer... Mas também quero mais que isso... Compreende? Eu quero estar enraizada nesse corpo, e fazer parte da sua seiva, e sacudir as suas folhas e ser um amparo doce em dias de muito sol. Quero ser e tenho me permitido isso sempre. Ser esse amparo. Essa sombra a quem me dá sombra e paz. Não como moeda de troca ou por gratidão, mas porque não pode ser diferente. Nunca seria diferente. Por que minha doação não é quantitativa... Não uso de matemática.
Ao tempo não sei se irrita que lhe critiquem a sua intensidade, ou ao sonho que o tratem como impossível... No entanto minha intensidade não me deixa calar. Mesmo sabendo que o silencio é ouro e a palavra é prata, não cala em mim essa angústia de não poder dar certeza de ser mais que um bichinho retornando quando tem fome...

A palavra é mesmo prata... O dourado me fere os olhos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Deixo assim ficar subentendido"


Sabe quando você gosta tanto de algo que procura ao máximo reprimir isso e só piora tudo?
Ah... E eu que sou criança e boba ainda me perco tentando me achar, tentando achar explicação pro que não se deve... Meus instantes se dissipando entre dois risos e eu ficando boba, dengosa, piegas a cada descida do ponteiro do relógio...


Eu não preciso inventar desculpas pra esse querer. Não cabe aqui esses conceitos vazios... O que se ergue, esse CASTELO, ele é invisível... Ele num cabe numa frase, nem numa imagem... O que se sente se explica por si só e ponto. Uma mão, outra mão e o calor criado no aperto das duas são coisas complexas demais pra se tentar entender. Paremos de pensar (ou penar ) então... "O trapezista quando pensa cai" me disseram outro dia... Tenho então carregado isso comigo... No mesmo lugar que carrego o canto do bem-te-vi (lembra?) e o cheiro do tempo se esgotando entre as folhas da mangueira no fim de tarde...

Não carece explicação da mesma forma que não carece gaiola aos pássaros...  Por que sentir ainda é tudo que estar por trás das palavras, das imagens, dos sons... Sentir é ainda o que se faz limpo da nossa realidade distorcida...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Post levemente mal humorado porém verdadeiro.




"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
(...)

 Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
Clarice Lispector



Que os deuses te ouçam Clarice. Enquanto amadurecer for deixar de se entregar ao que se sente, e deixar de ser responsável pelo o que seduz, faço minhas suas palavras. Eu quero mesmo é ser menina. E fazer o que quero onde quero e quando quero ou não, e gritar as minhas insatisfações e calá-las quando me for de impossível segurar. Não amadureço enquanto amadurecer for sorrir amarelo para o mundo, não enquanto amadurecer for usar de pequenos joguetes, maquiar o meu riso, falar o que não sinto, ou ficar tensa para refazer minhas frases a todo instante como melhor me convir a situação que elas me remetem. As minhas riquezas vivem em mim. Não vou sufocá-las por precisar estar numa posição de ataque ou defesa. Ainda acredito que dá pra pular de cabeça sem quebrar o pescoço, sabe Clarice?


Não sou bastante madura. Não, nem nunca serei. Isso eu certezo.