quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"entre risos nervosos tenho os olhos meus..."

Ao tempo irrita que lhe critiquem a intensidade? E ao sonho que o tratem como impossível? Decerto coisas tão subjetivas não tenham esse defeito. Quanto a mim, sujeita ocultamente desvairada, objetivamente me irrito. Me irrito e me retorço e me ardo  profundamente quando desconfiam das minhas paixões. Tenho sido intensa em tantas coisas, decerto por vezes a covardia me abraça, mas nunca pra negar o que sinto. Já enfeitei muito as palavras, no entanto, elas, por segurança ou infantilidade, agora me escapam de forma quase inevitável sem qualquer enfeite ou fantasia, e quando há como evitar prefiro não fazer, queimando meu fogo que não é pouco e, desconfio,  infindável. Feita de uma carne triste e amolecida, ainda teimo em dedicar exclusividades, me doando de pouquinho a quem desejo em demasia.

Tenho sido tão vil protelando o tempo todo o que me faz feliz...

Mas aceito as coisas que a mim me vem sedentas. Aceito. E abraço sem dúvidas, mesmo cheia delas. Eu quero sim o que as árvores tem a oferecer... Mas também quero mais que isso... Compreende? Eu quero estar enraizada nesse corpo, e fazer parte da sua seiva, e sacudir as suas folhas e ser um amparo doce em dias de muito sol. Quero ser e tenho me permitido isso sempre. Ser esse amparo. Essa sombra a quem me dá sombra e paz. Não como moeda de troca ou por gratidão, mas porque não pode ser diferente. Nunca seria diferente. Por que minha doação não é quantitativa... Não uso de matemática.
Ao tempo não sei se irrita que lhe critiquem a sua intensidade, ou ao sonho que o tratem como impossível... No entanto minha intensidade não me deixa calar. Mesmo sabendo que o silencio é ouro e a palavra é prata, não cala em mim essa angústia de não poder dar certeza de ser mais que um bichinho retornando quando tem fome...

A palavra é mesmo prata... O dourado me fere os olhos.